Psicólogo negro, online.
Para quem carrega o cargo e o resto.

Você responde pela equipe, pelo resultado, às vezes pela família inteira. Muitas vezes é também a única pessoa negra na mesa onde a decisão acontece. O cansaço que vem disso não aparece em nenhuma avaliação de desempenho. E costuma ser carregado em silêncio, porque mostrar cansaço parece custar mais para você do que para quem está ao lado.

Sou psicólogo (CRP 03/22886) e PhD em Neurociências pela USP. Atendo online, para todo o Brasil, pessoas em posições de alta responsabilidade sob pressão: burnout, ansiedade e decisão. Uma parte específica desse trabalho é com homens e mulheres negros.

O que esta página não diz.

Não diz que só uma pessoa negra pode atender outra. Nem que todo sofrimento de uma pessoa negra vem do racismo. Diz uma coisa mais modesta: o racismo, e o jeito como ele atravessa trabalho, corpo e família, faz parte do contexto clínico, e contexto clínico precisa ser lido inteiro. O Conselho Federal de Psicologia estabeleceu normas para a atuação da psicologia em relação ao preconceito e à discriminação racial em 2002 (Resolução CFP nº 018/2002).

O mesmo quadro, com mais de uma camada.

Burnout, ansiedade, decisões que passaram a custar caro. Qualquer pessoa em alta responsabilidade conhece essa pressão. Quando se é exceção na sala, vem junto outra camada:

ser lido antes de falar.
Precisar acertar duas vezes.
Medir o tom para não virar estereótipo.

A pesquisa em saúde estuda há décadas a associação entre discriminação e desfechos de saúde física e mental (Williams & Mohammed, 2009). Isso não é diagnóstico. É contexto.

Para mulheres negras em posição de liderança, a conta pode ter outra forma: sustentar competência e firmeza ao mesmo tempo, sem que nenhuma das duas seja lida como excesso. O trabalho clínico é o mesmo: mapear o que está cobrando, e de onde vem a cobrança.

Força sem intervalo também cobra.

A masculinidade, e de um modo particularmente pesado a masculinidade negra, costuma ensinar cedo uma norma: dar conta, não fraquejar, não pedir. Ela protege por fora.

E isola por dentro.

Na terapia, essa couraça não é tratada como defeito. Ela teve motivo para existir. O trabalho é olhar o preço dela agora e decidir, com método, o que ainda serve.

Escrevi sobre isso em A Trama Oculta: O cansaço de ser o mais forte da sala, o silêncio masculino como custo aprendido e o que a cultura enxerga quando um homem negro cuida de si.

O mesmo método da clínica.

Não existe um protocolo separado. É a mesma clínica: terapia cognitivo-comportamental, Terapia Analítico-Comportamental e neurociência aplicada, com medidas acompanhadas entre as sessões. O que muda é o que entra no mapa.

Começa por um formulário, de cerca de 5 minutos. Eu leio e respondo por e-mail em até 48 horas úteis. Se houver encaixe, a próxima etapa é uma entrevista prévia de 50 minutos, online, pelo Google Meet. Ela é paga: o valor vem no e-mail de resposta, antes de você confirmar o horário, e cancelando antes da entrevista o reembolso é integral.

Se não houver encaixe, indico alternativas: a Psicologia Preta, que conecta pessoas negras a psicólogos negros de CRP ativo em todo o Brasil, a Conexão Psicológica (as duas fundadas por mim) ou colegas fora da minha prática.

Fui criado no Recôncavo Baiano, fiz ciência na USP e fundei a Psicologia Preta. A trajetória completa está em Sobre.

O que costumam perguntar.

Você atende só pessoas negras?

Não. A clínica atende pessoas de qualquer origem em posições de alta responsabilidade. Esta página descreve uma parte específica do trabalho: a que considera raça e masculinidade negra como parte do contexto clínico.

Preciso de um psicólogo negro para falar de racismo na terapia?

Não necessariamente. Toda psicóloga e todo psicólogo deve estar preparado para considerar o racismo como parte do contexto, como orienta o Conselho Federal de Psicologia. Para algumas pessoas, falar com alguém que conhece esse contexto por dentro facilita começar. A escolha é sua.

O atendimento é online para todo o Brasil?

Sim. O atendimento é online. A entrevista prévia acontece pelo Google Meet.

Como começa?

Por um formulário de cerca de 5 minutos. A resposta chega por e-mail em até 48 horas úteis. Se houver encaixe, a próxima etapa é uma entrevista prévia de 50 minutos, online, pelo Google Meet.

Quanto custa?

A entrevista prévia é paga. O valor e as formas de pagamento vêm no e-mail de resposta ao formulário, antes de você confirmar o horário, e cancelando antes da entrevista o reembolso é integral. Os valores do acompanhamento são apresentados ao final da entrevista, antes de qualquer compromisso com a continuidade.

E se eu estiver em crise agora?

O formulário não é lido em tempo real e esta clínica não é serviço de urgência. Se você não pode esperar: CVV, no 188, 24 horas por dia, de graça e em sigilo. O CAPS da sua cidade atende crise psíquica sem agendamento prévio. Em emergência, SAMU 192, ou a UPA ou hospital mais próximo.

Dicas de Leitura

  • Neusa Santos Souza, Tornar-se negro. Estudo psicanalítico clássico, de uma psiquiatra negra brasileira, sobre o custo emocional da ascensão social de pessoas negras no Brasil.
  • Grada Kilomba, Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Sobre o racismo do dia a dia e o que ele produz em quem o vive.
  • bell hooks, We Real Cool: Black Men and Masculinity. Sobre a masculinidade negra e a norma de força que isola.

Referências (O Fundamento)

  1. Conselho Federal de Psicologia (2002). Resolução CFP nº 018/2002. Estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação ao preconceito e à discriminação racial.
  2. Conselho Federal de Psicologia (2017). Relações raciais: referências técnicas para atuação de psicólogas/os. Brasília: CFP.
  3. Williams, D. R., & Mohammed, S. A. (2009). Discrimination and racial disparities in health: evidence and needed research. Journal of Behavioral Medicine, 32(1), 20 a 47.

Este texto tem finalidade informativa. Não constitui diagnóstico, avaliação psicológica ou tratamento, e não substitui consulta com profissional habilitado.

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