3 meses de relacionamento e ainda não é um namoro? A neurociência pode ter a resposta.
Parece até meio cruel, né? Mas calma, a ciência tem algumas respostas para isso – e elas são mais interessantes (e menos dramáticas) do que você imagina.
Nos primeiros meses de um relacionamento, o cérebro entra em uma verdadeira “festa hormonal”. Isso explica aquele prazer de estar com a pessoa, a sensação de conexão profunda e o “frio na barriga” que todo mundo adora (ou, quem sabe, sofre). O grande responsável por isso tudo? A dopamina. Essa substância química é a mesma que surge quando você ganha um prêmio ou realiza algo prazeroso, e no caso do amor, ela mantém você motivado a estar com a pessoa, mesmo que o tempo passe rápido.
A ocitocina, por sua vez, é o hormônio do apego. Sabe aquela sensação de “não consigo parar de pensar em você”? É ela ali, fazendo seu trabalho. E para completar, temos a adrenalina, responsável pelo “frio na barriga” e pela sensação de euforia. Tudo isso cria uma montanha-russa de emoções que torna o início de qualquer romance tão eletrizante. Como diz Helen Fisher, neurocientista e pesquisadora do amor, “O cérebro de quem está apaixonado funciona como se estivesse em um estado constante de alerta, como se estivesse em uma aventura” (Fisher, 2005).
Mas e depois de três meses? O que acontece com a cabeça de quem está se apaixonando?
O tempo e o cérebro: por que os 3 meses?
A ciência tem um argumento bem interessante sobre isso: três meses é o tempo em que os níveis hormonais começam a se estabilizar. Você pode até estar achando que a relação está perdendo o encanto, mas na verdade, o cérebro só está diminuindo a intensidade da “festa”. De acordo com Fisher, após esse período, o cérebro já passou da euforia inicial e começa a pensar mais racionalmente sobre o futuro. A paixão diminui, mas dá lugar a um vínculo mais profundo, mais duradouro e, claro, mais realista.
Então, por que o pedido de namoro ainda não aconteceu? A resposta pode ser mais simples do que você imagina, e, sim, a ciência tem uma explicação para isso também. A ausência do “pedido oficial” pode indicar que a pessoa ainda não está pronta para um compromisso sério. Pode ser uma questão de medo ou dúvidas pessoais – o que não significa que o relacionamento está fadado ao fracasso, mas sim que a pessoa ainda está avaliando as coisas. Não se esqueça: ninguém é obrigado a oficializar nada. Como diz o estudo de Marazziti e Canale (2004), “O amor é uma combinação de fatores químicos e psicológicos que variam para cada indivíduo.”
Como usar a ciência no seu próprio relacionamento?
Então, como aplicar tudo isso ao seu romance? A resposta é simples: seja consciente. Pergunte a si mesmo:
- Essa pessoa está realmente interessada?
- Nós dois estamos na mesma página sobre o que queremos para o futuro?
Essas perguntas podem parecer óbvias, mas, como afirmam os estudos de Fisher e Aron (2012), “Em um relacionamento saudável, a comunicação aberta e o entendimento das intenções de cada um são fundamentais para o sucesso a longo prazo.”
Fontes que explicam tudo isso:
- Fisher, H. E., Aron, A., & Brown, L. L. (2005). “Romantic love: An fMRI study of a neural mechanism for mate choice.” The Journal of Comparative Neurology.
- Marazziti, D., & Canale, D. (2004). “Hormonal changes when falling in love.” Psychoneuroendocrinology.
- Acevedo, B. P., et al. (2012). “Neural correlates of long-term intense romantic love.” Social Cognitive and Affective Neuroscience.
- Bartels, A., & Zeki, S. (2000). “The neural basis of romantic love.” NeuroReport.
- Diamond, L. M., & Dickenson, J. A. (2012). “The neuroimaging of love and desire: Review and future directions.” Archives of Sexual Behavior.
Conclusão
A ciência do amor não é só sobre química – é também sobre como o cérebro de cada um processa esses sentimentos. Se o pedido de namoro ainda não aconteceu, pode ser um sinal de que seu cérebro está pedindo para dar um passo atrás e pensar com mais clareza sobre a relação. E lembre-se: não há fórmula mágica, mas sim, uma série de fatores que ajudam a entender melhor o que está acontecendo.Agora, o que você acha?
Comente abaixo ou compartilhe com aquele(a) amigo(a) que precisa de um empurrãozinho da ciência no romance!