​A alta-performance de ser a mesma pessoa em todas as mesas. (Sobre o poder de não ter que gastar energia com máscaras).






A Alta Performance da Coerência: O Poder de Ser Você Mesmo em Qualquer Mesa


A Alta Performance da Coerência: O Poder de Ser Você Mesmo em Qualquer Mesa

Eu vejo muita gente buscando a tal da alta performance como se fosse uma fórmula mágica, um atalho. Mas, de vez em quando, a gente esquece que o caminho mais eficiente é o mais simples, o mais autêntico. Por anos, observei executivos, líderes, profissionais de diversas áreas, e uma coisa me chamava a atenção: o desgaste. Não era só o cansaço físico, mas um esgotamento que vinha de dentro. Era a energia que se perdia na tentativa de ser uma pessoa em cada mesa, em cada ambiente, em cada conversa.

A Carga Invisível das Máscaras

Pense bem: você se comporta da mesma forma com seus colegas de trabalho, com seus amigos de infância, com sua família, com seus mentores? A resposta, para a maioria, é um “não” enfático. E isso é natural até certo ponto; a adaptação social é uma habilidade humana. O problema surge quando essa adaptação vira uma dissociação profunda, quando você precisa vestir diferentes “máscaras” para cada papel social. Essa não é uma simples mudança de tom; é uma mudança de essência, um esforço contínuo para moldar sua personalidade e suas opiniões.

Neurocientificamente, cada vez que você suprime uma emoção genuína, modula uma opinião sincera ou força uma reação que não é sua, seu cérebro está trabalhando em dobro. É como um software rodando em segundo plano, consumindo recursos preciosos. O córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões e pelo controle executivo, é sobrecarregado. Isso leva à fadiga de decisão e ao esgotamento cognitivo. A energia que poderia ser direcionada para a criatividade, a resolução de problemas complexos ou o foco profundo, é drenada para a manutenção de uma fachada. E, como um velho ditado lá da minha terra diz: “Panela que muitos mexem, ou não come ou não tem tempero”. Muita gente tentando te dizer quem ser, no fim, você acaba sem saber quem é.

A Neurociência da Congruência e o Fluxo de Energia

Quando você é a mesma pessoa em todas as mesas, não me refiro a uma rigidez imutável, mas a uma coerência de valores e essência. Significa que seus princípios guiam suas ações, independentemente do cenário. A neurociência nos mostra que essa congruência é um superpoder. Estudos sobre a autenticidade revelam que indivíduos que agem de acordo com seus valores internos experimentam maior bem-estar psicológico, menor estresse e uma sensação de propósito mais forte.

Essa consistência interna libera uma quantidade imensa de energia mental. Seu cérebro não precisa mais gastar ciclos computacionais para gerenciar múltiplas identidades. Há uma redução drástica no conflito interno, o que diminui a atividade na amígdala (ligada ao medo e à ansiedade) e aumenta a conectividade nas redes neurais associadas à autorregulação e à recompensa. Em outras palavras, ser autêntico é neurologicamente recompensador e menos estressante. Isso não é apenas bom para a alma; é fundamental para a alta performance sustentável.

“A congruência entre o que você pensa, o que você diz e o que você faz é a chave para a paz interior e para a eficácia externa.”
— Dr. Gérson Neto

O Poder da Vulnerabilidade e da Confiança Autêntica

Alguns podem temer que ser “a mesma pessoa” signifique ser inflexível ou expor demais. Mas a autenticidade, nesse contexto, não é sobre a ausência de filtros, mas sobre a integridade. É a coragem de ser vulnerável, de mostrar suas falhas e suas forças de forma equilibrada. É entender que a verdadeira força não reside na imagem impecável, mas na resiliência de quem se conhece e se aceita.

Em um ambiente de trabalho, um líder que demonstra essa coerência inspira confiança profunda. As pessoas não precisam decifrar suas intenções, pois sua essência é transparente. Isso cria um ambiente de segurança psicológica, onde a inovação floresce e o feedback honesto é valorizado. A performance individual e coletiva dispara porque a energia antes gasta em adivinhação e desconfiança é redirecionada para a colaboração e a criação. Como me disse um antigo mestre do sertão, “Quem anda com a cara limpa, não tem medo de poeira.”

Estratégias para Desvestir as Máscaras e Potencializar Sua Essência

Então, como podemos cultivar essa coerência que impulsiona a alta performance?

  • Conheça Seus Valores Fundamentais: Dedique tempo para identificar o que realmente importa para você. Quais são os pilares que sustentam suas decisões e sua visão de mundo? Quando seus valores são claros, suas ações se alinham naturalmente.
  • Pratique a Auto-Observação: Esteja atento aos momentos em que você sente que está “atuando” ou se desconectando de si mesmo. Onde e com quem essas máscaras tendem a aparecer? A consciência é o primeiro passo para a mudança.
  • Defina Limites Claros: Ser autêntico não significa agradar a todos. Significa saber dizer “não” ao que não ressoa com você, mesmo que isso cause um desconforto inicial. Esse é um ato de autodefesa e respeito próprio.
  • Busque Ambientes de Congruência: Cerque-se de pessoas e ambientes que valorizam sua autenticidade. Quando você se sente seguro para ser quem é, o esforço para manter máscaras diminui drasticamente.
  • Aprenda a Comunicar sua Verdade com Gentileza: A autenticidade não é um convite à rudeza. É possível expressar suas opiniões e sentimentos de forma honesta e respeitosa, construindo pontes em vez de muros.

No fim das contas, a alta performance não é apenas sobre o que você faz, mas sobre quem você é enquanto faz. O poder de ser a mesma pessoa em todas as mesas é o poder de viver com integridade, de liberar sua energia mais autêntica e de construir um impacto duradouro, tanto em sua própria vida quanto naqueles que você lidera. É um caminho mais leve, mais potente e, paradoxalmente, o que exige menos esforço. Permita-se ser você.

Referências

  • BROWN, Brené. A Coragem de Ser Imperfeito. Tradução de Ryta Galvão. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013.
  • KAHNEMAN, Daniel. Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. Tradução de Cássio de Arantes Leite. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. (Para o conceito de fadiga de decisão e carga cognitiva).
  • SINEK, Simon. Comece Pelo Porquê: Como Grandes Líderes Inspiram Ação. Tradução de Ivo Korytowski. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018.
  • KERNIS, Michael H.; GOLDMAN, Brian M. The psychology

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